Resposta curta: em geral, a órtese craniana é usada dos 3 aos 12 ou 14 meses, fase em que a cabecinha cresce mais rápido. Entre 4 e 8 meses ela costuma responder com mais rapidez, por isso vale avaliar cedo. Depois de 1 ano ainda pode haver melhora, mas ela tende a ser menor e mais lenta.
Por que a idade importa tanto
A órtese não aperta a cabeça. Ela apoia as áreas mais salientes e deixa espaço livre onde a cabeça precisa crescer. Ou seja, ela usa o próprio crescimento do bebê para corrigir o formato.
Por isso o tempo é tão importante. Nos primeiros meses de vida a cabeça cresce depressa, e cada semana de crescimento é uma oportunidade de correção. Com o passar dos meses, esse ritmo diminui.
Nos primeiros meses
Nessa fase, o primeiro passo costuma ser o reposicionamento: variar a posição da cabeça ao dormir, aumentar o tempo de bruços acordado e supervisionado, e tratar o pescoço quando há torcicolo. Muitos casos leves melhoram só com isso.
A avaliação precoce ajuda a medir o grau da assimetria e acompanhar se ela está melhorando ou não.
Entre 3 e 12 meses
É a fase em que a órtese costuma ser indicada quando a assimetria é moderada ou grave, ou quando não melhorou com o reposicionamento. A diretriz do Congress of Neurological Surgeons, de 2016, aponta que quanto mais cedo o bebê começa a usar a órtese, melhor tende a ser o resultado.
Depois de 1 ano
A mesma diretriz registra melhora até em bebês que começaram depois dos 12 meses. O crescimento, porém, já está mais lento, então a correção tende a ser parcial e o tratamento pode demorar mais.
Nesses casos, a avaliação com medição é ainda mais importante para mostrar se vale a pena começar e o que dá para esperar.
Quanto tempo de uso por dia e por quantos meses
Depois de alguns dias de adaptação gradual, o uso indicado costuma ser de cerca de 23 horas por dia. A órtese só sai para o banho, a higiene e as trocas. As referências internacionais descrevem um tratamento médio de 4 a 6 meses, com consultas de ajuste a cada poucas semanas. Bebês que começam mais cedo costumam precisar de menos tempo.
Sinais para procurar avaliação logo
- Um lado da parte de trás da cabeça mais achatado.
- Uma orelha mais à frente que a outra, olhando de cima.
- A testa mais saliente de um lado.
- A parte de trás larga e reta.
- O bebê vira a cabeça sempre para o mesmo lado.
Veja também: Plano de saúde cobre órtese craniana? e avaliação de assimetria craniana.
Perguntas frequentes
Meu bebê tem 3 meses. Já posso fazer a avaliação?
Sim. Avaliar cedo não significa usar a órtese. Serve para medir a assimetria e orientar o reposicionamento enquanto ainda dá tempo.
Meu bebê tem 10 meses. Ainda vale a pena?
Em muitos casos, sim, porque a cabeça ainda está crescendo. A medição mostra o grau e ajuda a decidir.
E depois de 1 ano e meio?
A melhora tende a ser bem menor. A avaliação individual é que define se ainda faz sentido.
O plano de saúde demora. Espero a resposta?
Vale fazer a avaliação enquanto o pedido corre, para não perder tempo.
Sobre a autora
Dra. Carla Tissiane, fisioterapeuta (CREFITO 8 149838-F), mestre pela UFPR, com 16 anos de experiência e mais de 5.000 atendimentos. Atende bebês em São José dos Pinhais, na região de Curitiba. Revisado em outubro de 2026.
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